O turfe uruguaio viveu uma tarde inesquecível com a disputa da 128ª edição do Grande Prêmio José Pedro Ramírez, a prova máxima do calendário nacional.
Como acontece todos os anos em 6 de janeiro, o Hipódromo Nacional de Maroñas recebeu milhares de espectadores, que lotaram as arquibancadas e acompanharam uma jornada que uniu festa popular, tradição e emoção até o último metro de corrida.
Ramírez: tradição, festa e protagonismo continental
Disputado desde 1889, o Ramírez é o principal evento do turfe no Uruguai e uma das provas mais antigas e prestigiadas da América do Sul.
A edição de 2026 contou com 20 corridas, diversas atividades para o público, atrações gastronômicas e um ambiente festivo que reforçou a importância cultural, esportiva e econômica do evento.
A cerimônia principal teve a presença do presidente Yamandú Orsi, que destacou o impacto social do turfe e entregou os prêmios aos vencedores ao lado de autoridades nacionais e departamentais.











Campo de elite e favoritismo claro
O Grande Prêmio reuniu 10 competidores de alto pedigree, com forte presença brasileira:
- Obstacle (BRA) – favorito absoluto
- Pluto (URU)
- Native Extreme (BRA)
- Mucho Loco (BRA)
- Turbo Ship (URU)
- Universal Horse (BRA)
- Cuento Marista (URU)
- Zelenski (BRA)
- Huracán (BRA)
- Quixote (URU)
O favoritismo estava concentrado em Obstacle, que largou com baixa cotação e grande expectativa.
Entre os uruguaios, Pluto despontava como esperança local.
Native Extreme, por sua vez, aparecia como um azarão pouco mencionado e pagava 6,10 para vencedor.
A corrida: estratégia, paciência e uma chegada épica
Logo após a largada, Obstacle assumiu a ponta e administrou o ritmo por grande parte da prova. Pluto e Mucho Loco ficaram próximos, alternando perseguição e pressão sobre o líder.
Native Extreme, montado por Joao Moreira, permaneceu mais atrás, aguardando o momento ideal para o ataque.
A história mudou na entrada da reta final.
Com precisão cirúrgica, Moreira colocou Native Extreme por fora, acelerou firme e avançou sobre os líderes.
Primeiro ultrapassou Pluto, depois colheu Obstacle nos metros finais e cruzou o disco em 2m29s11, selando uma vitória tão inteligente quanto espetacular.
- Vencedor: Native Extreme (Stud Los Mareados)
- Jóquei: Joao Moreira
- Treinador: Bruno Firmino
- Segundo: Pluto
- Terceiro: Obstacle
Após quatro anos de domínio argentino no Ramírez, o Brasil voltou ao topo da prova mais importante do turfe uruguaio.
Moreira e Dettori: dois gigantes na mesma tarde
Além da performance decisiva de Joao Moreira, a jornada ganhou um brilho adicional com a presença de Lanfranco “Frankie” Dettori, uma lenda viva do turfe mundial.
Embora não tenha participado da prova principal, Dettori correu outras disputas do dia, interagiu com fãs e marcou a programação com sua presença histórica.
Ver no mesmo palco Moreira e Dettori transformou Maroñas em um ponto de encontro do turfe internacional.
O impacto midiático e o triunfo de Maravilloso
Outro momento destacado foi o triunfo de Maravilloso, cavalo dos ex-jogadores Diego Godín e Gonzalo “Chory” Castro, vencedor do Prêmio Jockey Club de São Paulo.
O resultado repercutiu fora das pistas e atraiu atenção especial do público esportivo.
Ao longo das 20 provas, Brasil, Uruguai e Argentina dividiram conquistas, reforçando o caráter regional e competitivo do evento.
Um Ramírez inesquecível
A conquista de Native Extreme deixou seu marco:
- derrubou favoritismos
- premiou estratégia e paciência
- devolveu o título a um cavalo brasileiro
- consagrou novamente Joao Moreira
- reafirmou o Ramírez como símbolo cultural e esportivo do país
Na 128ª edição do Grande Prêmio José Pedro Ramírez, um cavalo pouco mencionado assumiu o protagonismo e escreveu o capítulo mais emocionante do turfe uruguaio em 2026.

